sexta-feira, 31 de outubro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
"Quando consideramos a infinita variedade de sonhos, é difícil conceber que haja um método ou procedimento técnico que leve a um resultado infalível. Aliás, é bom que não haja métodos válidos, pois neste caso o significado de um sonho já seria limitado de antemão e perderia precisamente aquela virtude que torna os sonhos tão valiosos para os objetivos terapêuticos: sua capacidade de proporcionar novos pontos de vista. É tão difícil compreender um sonho que por muito tempo criei e segui uma regra; quando alguém me conta um sonho e pergunta minha opinião, primeiro digo a mim mesmo: 'Não tenho ideia do que este sonho significa'. Depois disso posso começar a examinar o sonho" (Jung - Obras Completas)
Questionário de Avaliação e Interesse em Eventos de Psicologia Analítica
Em busca de aprimorar os cursos/palestras que já ofereci e para levantar possíveis interessa para a preparação de novos cursos, elaborei um questionário que avalia os cursos anteriormente realizados e faz esse levantamente de interesses de novos temas para futuros eventos.
Disponibilizo o link do questionário abaixo para que, mesmo aqueles que nunca participaram de nenhum evento comigo, possam expressar seus interesses e necessidades na área de Psicologia Analítica.
Não deixe de inserir seu email caso deseje se identificar e receber a divulgação de futuros encontros.
Segue o link do questionário:
segunda-feira, 3 de março de 2014
Palestra: "A Entrevista Inicial em Psicologia Analítica - reflexões sobre a metodologia"
Depois de muito tempo sem aparecer por aqui, olha eu aqui de volta!
Sumi por um ótimo motivo: trabalho, muito trabalho!
Como já comentei no post anterior, no segundo semestre de 2013 iniciei o tão sonhado curso de Formação de Analista pelo IPAC (Instituto de Psicologia Analítica). Somado às aulas e ao consultório, o curso é muito puxado, com muitas leituras e muito trabalho pra fazer para cada encontro (que ocorre uma vez por mês).
Nesse primeiro semestre de curso lemos e discutimos três livros: A Prática da Psicoterapia (do nosso querido Jung), Methods in Analytical Psychology (do Hans Dieckmann, esse livro eu já conhecia mas nunca tinha lido com aprofundamento) e Transferência Contratransferência (organizado pelo Murray Stein e Nathan Schwartz-Salant; esse eu não conhecia e foi uma grata surpresa, o livro apresenta uma discussão rica e completa sobre esse tema no enfoque da Psicologia Analítica).
Como devem imaginar, muitas reflexões se iniciaram em minha mente a partir dessas leituras, e a principal delas foi acerca do método...
Tivemos que ler o livro do Dieckmann em inglês, pois o livro não está traduzido para o português. E aí, conforme fomos discutindo sobre o tema, percebemos que não há NENHUM livro em português sobre metodologia de Psicologia Analítica.
Na verdade, o que se percebe é que há resistência dos "junguianos" em discutir o método e a técnica da psicoterapia, talvez com receio de que isto fique "no meio da relação dialética". E esse receio tem sua razão de ser, uma vez que Jung ressalta o tempo todo que a base do trabalho é a relação humana, verdadeira, dialética, entre os "dois sistemas psíquicos". Fato é, que um método rígido de fato coloca em risco a autenticidade da relação. Entretanto, a análise é um trabalho, e como em todo trabalho, técnica e método são necessários.
Diante disso, passei a refletir sobre o tema, e dessas reflexões surgiu a ideia de algumas palestras acerca da metodologia em Psicologia Analítica. A primeira delas acontecerá no dia 08 de março de 2014, e será sobre a entrevista inicial (já fiz um post sobre o tema, para acessá-lo clique aqui). As ideias que irei apresentar nesse dia são baseadas no que Dieckmann discute em seu livro, mas também farei uma pequena reflexão sobre a questão da metodologia em Psicologia Analítica.
A divulgação da palestra está abaixo, e aí já estão as instruções para inscrição. Espero por vocês lá!!!
Sumi por um ótimo motivo: trabalho, muito trabalho!
Como já comentei no post anterior, no segundo semestre de 2013 iniciei o tão sonhado curso de Formação de Analista pelo IPAC (Instituto de Psicologia Analítica). Somado às aulas e ao consultório, o curso é muito puxado, com muitas leituras e muito trabalho pra fazer para cada encontro (que ocorre uma vez por mês).
Nesse primeiro semestre de curso lemos e discutimos três livros: A Prática da Psicoterapia (do nosso querido Jung), Methods in Analytical Psychology (do Hans Dieckmann, esse livro eu já conhecia mas nunca tinha lido com aprofundamento) e Transferência Contratransferência (organizado pelo Murray Stein e Nathan Schwartz-Salant; esse eu não conhecia e foi uma grata surpresa, o livro apresenta uma discussão rica e completa sobre esse tema no enfoque da Psicologia Analítica).
Como devem imaginar, muitas reflexões se iniciaram em minha mente a partir dessas leituras, e a principal delas foi acerca do método...
Tivemos que ler o livro do Dieckmann em inglês, pois o livro não está traduzido para o português. E aí, conforme fomos discutindo sobre o tema, percebemos que não há NENHUM livro em português sobre metodologia de Psicologia Analítica.
Na verdade, o que se percebe é que há resistência dos "junguianos" em discutir o método e a técnica da psicoterapia, talvez com receio de que isto fique "no meio da relação dialética". E esse receio tem sua razão de ser, uma vez que Jung ressalta o tempo todo que a base do trabalho é a relação humana, verdadeira, dialética, entre os "dois sistemas psíquicos". Fato é, que um método rígido de fato coloca em risco a autenticidade da relação. Entretanto, a análise é um trabalho, e como em todo trabalho, técnica e método são necessários.
Diante disso, passei a refletir sobre o tema, e dessas reflexões surgiu a ideia de algumas palestras acerca da metodologia em Psicologia Analítica. A primeira delas acontecerá no dia 08 de março de 2014, e será sobre a entrevista inicial (já fiz um post sobre o tema, para acessá-lo clique aqui). As ideias que irei apresentar nesse dia são baseadas no que Dieckmann discute em seu livro, mas também farei uma pequena reflexão sobre a questão da metodologia em Psicologia Analítica.
A divulgação da palestra está abaixo, e aí já estão as instruções para inscrição. Espero por vocês lá!!!
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Qual é a medida na análise?
Depois de muito tempo volto a escrever aqui. A correria do dia a dia, a quantidade de trabalho e o cansaço me mantiveram afastada deste espaço, mas mesmo sem conseguir parar para escrever, as ideias continuavam fervilhando em minha mente.
A cada dia as diversas situações me fazem pensar e questionar tudo o tempo todo. Cada encontro terapêutico, cada sessão de análise, cada supervisão individual que recebo ou dou, cada supervisão em grupo e encontro de grupo de estudos, observo, sinto, questiono.
Essa semana iniciei o curso de Formação de Analista Junguiano e as primeiras aulas já foram suficientes para alimentar ainda mais o caldeirão de ideias, fico só imaginando as maravilhas que ainda vem pela frente.
Uma das questões sobre as quais venho me questionando há algum tempo é a respeito da complexidade da análise e da relação analítica.
Jung postula, principalmente em seu livro A Prática da Psicoterapia, que o que ofereço ao meu paciente, enquanto psicoterapeuta, é o efeito que o sistema psíquico dele tem sobre o meu sistema psíquico. Ou seja, não há método pré-determinado, cada caso uma nova teoria (como o autor afirma no mesmo livro).
Se o que ofereço é o efeito sobre mim, preciso estar, de fato, dentro da relação, e se estou dentro, sou mexida inevitavelmente. É essa a análise que Jung propõe, e é a isso que o analista junguiano se propõe em seu trabalho diário.
Agora, imagine só ser mexido de diversas maneiras, por diversas questões, de 50 em 50 minutos, todos os dias, muitas vezes durante 8 ou 10 horas seguidas!
Isso faz desse trabalho algo difícil, complexo, as vezes sofrido. Entretanto, o que venho me perguntando é: qual é a medida? O quanto fico dentro da relação, sendo tocada e participando dessa "mexeção" que é a relação analítica, e o quanto fico fora, me preservando das chamadas "infecções psíquicas"?
Para mim, essa medida é um dos maiores desafios da análise e algo que aprendemos a cada dia nesse oficio, na base do "erro e acerto" muitas vezes. Percebo que a cada dia, a cada encontro, chego mais perto de encontrar a tal medida.
Agora, uma fala de uma das professoras do curso dessa semana me fez pensar tudo isso com mais clareza e dar mais alguns passos em direção à medida.
Diante do exato questionamento que apresento aqui neste texto, a resposta dela a mim foi que quando se perde no encontro, quando perde a medida, ela imagina uma plaquinha sendo levantada, onde está escrito, em letras garrafais: PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO.
Como assim?
Cada vez que me perceber envolvida demais com a história e a dor do outro, com pena, dó, raiva, ou outros tipos de sentimento em relação ao paciente, sua história e personagens, em outras palavras, cada vez que me perceber entrando demais na história, perdendo a medida, dou um passo para trás e levanto a plaquinha. A tal plaquinha serve para me lembrar que aquilo o que a pessoa está me contando, absolutamente tudo o que ela me conta, triste ou alegre, fácil ou difícil, faz parte do seu processo de individuação e deve ser trabalhado como tal, sem dó, pena ou raiva. So fenômenos de um processo.
Assim, em uma poltrona não há vítima ou vilão, há um indivíduo vivendo seu processo de individuação. E na outra poltrona não há salvador ou algoz, há um psicoterapeuta acompanhando e iluminando algumas passagens desse processo.
Incrível não é?
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